quarta-feira, 23 de setembro de 2015

FEDELIDADE E CONSTÂNCIA DE SANTA RITA

FIDELIDADE E CONSTÂNCIA DE SANTA RITA Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho* O que mais deseja Santa Rita de Cássia de seus devotos é a total fidelidade a Deus e irrestrita perseverança no aperfeiçoamento espiritual. Ela deixou o exemplo, pois para ela o Ser Supremo era tudo, seu fim único e necessário. Este modo de pensar e de ser influenciava toda sua conduta interior e exterior. Dado que Jesus veio ao mundo para ser o caminho seguro para o Pai, manifestando o imenso amor divino na sua Paixão e Morte, o Crucifixo era sempre, realmente, o ponto de mira desta santa extraordinária. Ela passou a ter Cristo fixo na sua mente, no seu coração. Estava então inteiramente mergulhada no oceano de dileção imensa deste Deus que era tudo nela e ela tudo nele. Ela reconhecia sinceramente ser nada diante de seu Senhor. Testemunhava o seu amor a Ele através da aceitação das mais terríveis provações nas diversas etapas de sua vida como esposa, mãe, viúva e, depois, como religiosa agostiniana dentro de um convento. Ela sabia que não era capaz de glorificar a Deus por si mesma. Assim sendo, Lhe entregava todo seu ser, todas as suas potências, todas as suas ações. Submetia-se em tudo aos desígnios da Providência, acatando inteiramente o domínio soberano do Criador. Por contemplar continuamente em Jesus na Cruz seu benfeitor por excelência, quis se identificar com Ele e repetia com São Paulo: “Eu só quero conhecer Cristo e Cristo crucificado” (1 Cor 2,2). Eis por que, inclusive, mereceu ter na fronte um espinho da coroa de Jesus. Este era sua felicidade, seu fim último. Como, porém, a liberdade humana deve ser ininterruptamente ajudada pela graça, Santa Rita vivia numa oração contínua. Movida pela ação divina todo o segredo de sua santidade estava numa fidelidade ininterrupta e numa constância que nada a fazia fugir de uma vida sobrenatural intensa. Esta se refletia numa dependência radical à vontade de Deus. As graças que recebia do Alto ela atribuía unicamente à pura bondade de Jesus, o Reparador da natureza humana decaída por causa da desobediência de Adão e Eva. Quanto mais, porém, Santa Rita penetrava no mistério da Cruz, mas ela desejava padecer para reparar os desatinos daqueles que erram nos caminhos dos vícios. Ao corresponder inteiramente às luzes divinas ela se tornou uma das mais admiráveis e admiradas santas. Então ao deixar esta terra se fez poderosa intercessora junto ao trono da Santíssima Trindade. Ela jamais contristou o Espírito Santo, uma vez que nunca deixou de fazer tudo que Ele a inspirava, elevando-a, deste modo, aos páramos da santidade mais eminente. É claro que os que a veneram não chegarão às alturas desta perfeição que esplende na existência de sua Patrona. Contudo, ela almeja que, na medida do possível, apesar da fragilidade humana de cada um, que Deus seja para seu devoto tudo, quer na ordem da natureza, quer na ordem da graça. Ao suportar com paciência os sofrimentos inevitáveis desta trajetória terrena seu devoto pode e deve ser um reflexo da grandeza espiritual desta santa. Ela estará sempre a seu lado para que ele não desfaleça na caminhada rumo à eternidade. Ajudará a vencer o amor próprio e todo obstáculo à submissão integral ao império de Deus. O devoto de Santa Rita sabe afastar o estoicismo, bem com todo dolorismo mórbido, mas, quando a cruz se torna pesada, ele a aceita generosamente, resignadamente com Jesus, em reparação das próprias faltas e dos pecados que se cometem mundo todo. Como Santa Rita, adere ao Mestre divino crucificado. Sabe perfeitamente que “sofrer passa, ter sofrido permanece eternamente”! Graças à proteção de Santa Rita proclama que é “feliz aquele que sofre e sabe para que sofre”, dando uma aplicação transcendental aos aborrecimentos deste exílio terreno. Santa Rita está a ensinar que “há permutas de amor com Deus que sós se fazem sobre a cruz”. Para quem tem fé o sofrimento leva, de fato, a uma profunda união com Cristo. Por outro lado, Santa Rita faz compreender assim. que nada purifica tanto o cristão como a aceitação humilde das provações que Deus envia. É que, enquanto dura a dor física ou moral. o fiel é chamado a exercer um papel propiciatório do mais alto valor para o sistema eclesial. Com a proteção de Santa Rita tudo supera e é sempre fiel e perseverante. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

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